quarta-feira, 30 de abril de 2008

Art School Confidential – EUA, 2006.



Sinopse: Jerome (Max Minghella) é um aspirante a pintor, típico solitário excluído no ambiente escolar. Ele chega à faculdade de artes aspirando ser uns dos mais representativos pintores do séc. XXI. Encontra em seu curso, toda a gama de arquétipos de artistas, incluindo seu amigo Bardo (Joel David Moore) que procura sempre definir o papel de cada aluno na sala de aula. Jerome se apaixona por Audrey (Sophia Myles), uma modelo que posa para as aulas de arte, que acaba sendo sua musa inspiradora e sua paixão platônica. Passa então a tentar se aproximar de qualquer forma dela. Porém ela acaba se interessando mais pelo principal rival de Jerome, Jonah (Matt Keeslar). Nisso começa uma espécie de corrida entre Jerome e Jonah para conquistar a atenção do publico de arte e da atenção de Audrey. Como pano de fundo, tem-se uma série de assassinatos nas proximidades do campus da universidade. Dir.: Terry Zwigoff.

Antes de falar do filme, gostaria de fazer um comentário a cerca da tradução do título para o português tupiniquim, que ficou uma bosta! Em nossa terra o filme foi apresentado como “Uma Escola de Arte Muito Louca” Porra! Tudo bem que o filme é meio clichezinho... Mas esse nome???? Desnecessário. Parece aqueles filmes que surgiram aos montes no final de 80 e início de 90, como por exemplo, “Loucademia de Polícia” ou “Uma Escola do Barulho”.
O filme tem seus louros, porém começa parecendo ser mais um filminho americano onde o “Loser” se apaixona pela “mais gostosinha da sala de aula” no qual no final sempre consegue conquistá-la e passar alguma lição de vida. Bem, realmente não foge muito disso. Usa como ambiente uma universidade de artes o que não é muito recorrente para esse tipo de filme. Mas a retrata como sendo um grande “depósito de losers”, que provavelmente é a forma como grande parte dos “teenagers” das “High School’s” da vida tem sobre tal ambiente.
(Quem ainda tem interesse em ver esse filme, favor parar de ler aqui).
O que me chamou a atenção nesse filme são as personagens “Bardo” e um velho artista (Jimmy) que é apresentado ao Jerome pelo próprio “Bardo”. “Bardo” chama a atenção pela pouca “forçassão de barra”. Ele não tenta ser o grande intelectual, não demonstra inveja aos proeminentes artistas ao seu redor, enfim, é um personagem simples que dá um tempero à trama. Em sua primeira aparição, Bardo começa a definir os estereótipos dos calouros, incluindo o seu próprio, se definindo como o grande clichê de aluno que vive trocando de curso por temer ser um fracasso em tudo (confesso que é nesse ponto que ele me cativa, justamente por ser essa uma das minhas faces). Já Jimmy impressiona por mostrar a faceta mais deprimente dos artistas. Obviamente é clichê colocar velhos depressivos e frustrados como artistas que passam a ser uma espécie de mestre do protagonista, porém essa personagem ganha por ser escraxado ao extremo e também o estrangulador que todos procuram. Inclusive o principal rival de Jerome é na verdade um policial infiltrado que investiga a série de assassinatos que ocorre no campus. Pois bem... Essa é a única parte boa do filme, onde a trama toma um rumo um pouco diferente. O protagonista usa alguns quadros do velho assassino para tentar impressionar a todos em um vernissage inclusive a mocinha. Porém estão colados nos quadros, como se fossem adornos, os pertences das vítimas do estrangulador fato que leva a polícia a incriminar Jerome como culpado pelos crimes. Como o verdadeiro assassino morre num incêndio, e o próprio Jerome não relata que os quadros não são de sua autoria, acaba sendo preso. E de dentro da prisão passa a produzir novos quadros. Após todos esses eventos, sua arte passa a ser apreciada por todos. Bom, ai realmente se forma o grande clichê, pois o protagonista alcança seu objetivo de ser um expoente das artes plásticas, de quebra conquista sua amada mesmo estando na cadeia ainda fica como lição de moral para os losers do mundo! “Nunca se esqueçam meus filhos, aquele que é incompreendido hoje, será o herói de amanhã”. (Pequena pausa para o gorfo). Porém fica válida apenas a crítica à atenção que é dada a determinada produção artística não pela obra, e sim pela história do artista, por tanto, a parte que contempla o filme, em minha opinião é claro.
Como produção cinematográfica, não foi explorados muitos recursos. Cenários simples, que apenas retrata o ambiente onde se desenvolve a história, mas os quadros ganham um bom espaço, com algumas obras que realmente chamam a atenção. Pelo que percebi nos créditos, parte delas são de alunos de artes e tem até obras de alunos com necessidades especiais. As interpretações que não passam do comum do cinema americano, incluindo a personagem interpretada por John Malckovich, que não costuma manter seus personagens no padrão hollywoodiano. O jovem Jerome tem seus talentos, mas num faz muito ao ponto de impressionar. Devo comentar também que o filme é baseado em um comic novel de mesmo nome, porém não tive a oportunidade de ler tal obra. Enfim... Sem mais delongas, o filme vale a pena ver como um passatempo para dias de chuva, mas nada mais do que isso.

Obs.: O presente comentário sobre esse filme foi feito após a primeira vez que vi o filme. Confesso que em uma segunda oportunidade minha opinião mudou substancialmente. Ainda acredito que o filme tem um desfile de clichês, mas acredito que foi bem exposto, como se estivesse justamente explorando uma linguagem iconográfica do “cinema pop”, algo parecido com que Kevin Smith (Dogma, Clerks, Mallrats, etc.) faz. As personagens de apoio que aparecem do decorrer do filme também são bem singulares, exemplificando, de uma forma caricatura, pessoas singulares que cruzamos no dia-a-dia. E a personagem de John Malkovich também ganhou meu apresso como sendo uma boa sátira dos artistas que são o cúmulo do “cult” e ao mesmo tempo um extremo fracasso, o que justifica a impressão que tive de sua performance na primeira vez que vi o filme.

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