quinta-feira, 2 de outubro de 2008

The Balllad of Jack & Rose



sinopse: Jack (Daniel Day-Lewis) vive numa ilha deserta com sua filha de dezesseis anos Rose (Camilla Belle). Ele a protegeu das influências exteriores do mundo desde pequena, mas agora a jovem o bombardeia de perguntas sobre o seu futuro. Quando Jack traz uma amante, Kathleen (Catherine Keener) e seus dois filhos, Rodney (Ryan McDonald) e Thaddius (Paul Dano), para morar com eles, a garota passa por experiências que a fazem descobrir um lado obscuro de sua personalidade, fazendo com que a situação beire ao caos.


Dizem sempre (ou quase sempre) que o cinema estadunidense não preza pela arte cinematográfica. Eu discordo. E como argumento em prol dessa opinião usarei o filme “The Balllad of Jack & Rose”.

O filme se passa na segunda metade da década de 80 e tem como cenário uma bucólica e quase extinta comunidade alternativa. Digo quase extinta pois mantém-na em atividade apenas um de seus fundadores (Jack) e sua filha adolescente (Rose).

A proposta principal da diretora seria (segundo a mesma revelou em algumas entrevistas) de retratar em que culminaram as comunidades alternativas que surgiram no final da dec. de 60 e início da dec. de 70. No entanto, penso eu que acaba por abordar diversas temáticas no decorrer da trama, deixando o tema principal como um mero pano de fundo. Uma das mais explícitas seria a relação edípica entre Pai e filha , tendo até uma cena (com um misto de fantasia) em que ambos se beijam, concretizando o afeto incestuoso. Dentro da história do filme, é abordado também o desabrochar da adolescente Rose em uma mulher de desejos. Nesse processo, a púbere apresenta comportamentos típicos de uma adolescente, mas de forma muito mais visceral, provavelmente devido ao ambiente em que esta está inserida. Sem uma representação feminina, ou uma sociedade restritiva (já que possui contato com poucas pessoas), a garota demonstra sempre seus desejos de forma pulsional. Na trama, esse fato é representado por metáforas que comparam a menina aos animais, que se comportam de forma instintiva, sem barreiras morais que nos são necessárias. Por exemplo, a cena em que Rose perde a virgindade. Uma cobra que está embaixo da cama, foge da caixa em que foi aprisionada. Em outra cena, a diretora também recorre à metáfora para representar o fim da fase infantil e inicio do que podemos chamar de adultescencia. Nessa, aparece a casa-da-árvore de Rose totalmente destruída pela ação do tempo, o que pode ser visto como a própria infância da menina que é destruída pela ação do tempo. Nesta mesma cena pode-se ver outro fato curioso. Jack profere a frase “Não se preocupe filha, ainda podemos reconstruí-la” demonstrando não querer que sua filha se torne uma mulher.

As outras personagens da história (a amante de Jack e os filhos da mesma) exercem um papel de extrema importância, pois são a relação mais intima com o mundo extra comuna que Jack & Rose possuem. Mas possuem suas peculiaridades também... Mas por pura preguiça irei omiti-las aqui. Enfim, o filme me cativou por ter uma história maravilhosamente contada sobre o afeto entre um pai e uma filha, com o pano de fundo um ambiente que inspira relações mais vivas. A escolha do cenário foi extremamente acertada (apesar de não fazer idéia de onde seja) e uma fotografia simples, mas não menos bela. Vale a pena ver e guardar. Deguste-a com vontade!